Vulgata - Psalmi, 101

Nota do Editor: Na edição original do padre Matos Soares, esse é o Salmo 102. Para mais detalhes ver [Ps. 1, 1, en].

Lamentos e súplicas dum homem gravemente aflito

[1] Oratio pauperis, cum anxius fuerit, et in conspectu Domini effuderit precem suam.
[1] Súplicas dum aflito que, desalentado, derrama a sua angústia diante do Senhor,
Oração de Israel aflito,
[2] Domine, exaudi orationem meam, et clamor meus ad te veniat.
[2] Senhor, ouve a minha oração, chegue a ti o meu clamor.
[3] Non avertas faciem tuam a me ; in quacumque die tribulor, inclina ad me aurem tuam ; in quacumque die invocavero te, velociter exaudi me.
[3] Não me escondas o teu rosto no dia da minha angústia. Inclina para mim o teu ouvido; quando eu te invocar, ouve-me prontamente.
[4] Porque os meus dias dissipam-se como fumo, e os meus ossos ardem como fogo.
[4] Quia defecerunt sicut fumus dies mei, et ossa mea sicut cremium aruerunt.
[5] Queimado, como a erva, o meu coração fica ressequido, esqueço-me até de comer o meu pão.
[5] Percussus sum ut fœnum, et aruit cor meum, quia oblitus sum comedere panem meum.
[6] A força de soltar gemidos, os meus ossos estão pegados à pele.
[6] A voce gemitus mei adhæsit os meum carni meæ.
[7] Similis factus sum pellicano solitudinis ; factus sum sicut nycticorax in domicilio.
[7] Sou semelhante ao pelicano do deserto, tornei-me como uma coruja entre ruínas.
[8] Não durmo e suspiro, como um pássaro solitário no telhado.
[8] Vigilavi, et factus sum sicut passer solitarius in tecto.
[9] Tota die exprobrabant mihi inimici mei, et qui laudabant me adversum me jurabant :
[9] Continuamente me insultam os meus inimigos; enfurecidos contra mim, proferem imprecações em meu nome.
[10] Porque eu como cinza, como se fosse pão, e misturo a minha bebida com lágrimas,
[10] quia cinerem tamquam panem manducabam, et potum meum cum fletu miscebam ;
[11] por causa da tua indignação e do teu furor, pois me levantaste e me arrojaste.
[11] a facie iræ et indignationis tuæ, quia elevans allisisti me.
[12] Dies mei sicut umbra declinaverunt, et ego sicut fœnum arui.
[12] Os meus dias são semelhantes a uma sombra prolongada, e eu vou-me secando como erva.
pedindo misericórdia, para a cidade destruída,
[13] Ao contrário, tu, Senhor, permaneces para sempre, e o teu nome por toda as gerações.
[13] Tu autem, Domine, in æternum permanes, et memoriale tuum in generationem et generationem.
[14] Tu exsurgens misereberis Sion, quia tempus miserendi ejus, quia venit tempus ;
[14] Levanta-te, tem piedade de Sião, porque é tempo de teres piedade dela, visto que chegou a hora.
[15] De facto os teus servos amam as pedras dela (Sião) e sentem compaixão das suas ruínas.
[15] quoniam placuerunt servis tuis lapides ejus, et terræ ejus miserebuntur.
[16] E as gentes reverenciarão o teu nome, Senhor, e todos os reis da terra a lua glória:
[16] Et timebunt gentes nomen tuum, Domine, et omnes reges terræ gloriam tuam ;
[17] quia ædificavit Dominus Sion, et videbitur in gloria sua.
[17] Quando o Senhor tiver reconstruído Sião, se tiver manifestado na sua glória,
[18] se tiver voltado para a súplica dos indigentes, nem tiver rejeitado a sua oração.
[18] Respexit in orationem humilium et non sprevit precem eorum.
[19] Sejam escritas estas coisas para a geração futura, e o povo, que há-de ser criado, louve o Senhor.
[19] Scribantur hæc in generatione altera, et populus qui creabitur laudabit Dominum.
[20] Porque olhou do seu santuário excelso, o Senhor do céu olhou sobre a terra,
[20] Quia prospexit de excelso sancto suo, Dominus de cælo in terram aspexit ;
[21] ut audiret gemitus compeditorum, ut solveret filios interemptorum ;
[21] para ouvir os gemidos dos encarcerados, para libertar os condenados à morte.
[22] a fim de que em Sião seja proclamado o nome do Senhor, e o seu louvor em Jerusalém,
[22] ut annuntient in Sion nomen Domini, et laudem ejus in Jerusalem,
[23] in conveniendo populos in unum, et reges ut serviant Domino.
[23] quando os povos se juntarem todos e os reinos para servirem ao Senhor.
ao Senhor imutável.
[24] Respondit ei in via virtutis suæ : Paucitatem dierum meorum nuntia mihi :
[24] Consumiu as minhas forças no caminho, encurtou os meus dias.
[25] Eu digo: Meu Deus, não me leves na metade dos meus dias; os teus anos duram por todas as gerações.
[25] ne revoces me in dimidio dierum meorum, in generationem et generationem anni tui.
[26] Nos princípios, fundaste a terra, e o céu é obra das tuas mãos.
[26] Initio tu, Domine, terram fundasti, et opera manuum tuarum sunt cæli.
[27] Ipsi peribunt, tu autem permanes ; et omnes sicut vestimentum veterascent. Et sicut opertorium mutabis eos, et mutabuntur ;
[27] Estas coisas perecerão, mas tu permanecerás, e todas envelhecerão como um vestido. Muda-las como uma vestidura, e ficam mudadas
[28] tu autem idem ipse es, et anni tui non deficient.
[28] tu porém és sempre o mesmo, e os teus anos não têm fim.
[29] Filii servorum tuorum habitabunt ; et semen eorum in sæculum dirigetur.
[29] Os filhos dos teus servos habitarão seguros (em Jerusalém), e a sua posteridade subsistirá diante de ti.

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[1] Há neste salmo três partes: 1. Uma pessoa aflita lastima-se dos seus males e pede a Deus socorro (2-13). 2. Pensando na desolação de Jerusalém e no exílio do povo. pede o seu restabelecimento, para glória de Deus (14-23). 3. O infeliz volta a lamentar-se dos seus males, e pede a Deus mais longa vida (24-29).
[10] ...Eu como cinza... Alusão A cinza que era costume espalhar sobre a cabeça em sinal de dor e de penitência, e da qual cairia alguma sobre o prato em que comiam.
[21] Encarcerados e como condenados à morte eram os Israelitas no cativeiro de Babilônia.
[25] A eternidade de Deus, que excede infinitamente a duração da vida humana, é invocada como motivo para que Deus conceda vida mais longa,